O Movimento Estudantil (ME) da USP passou por momentos importantes neste ano, como a implementação da UNIVESP, a entrada da Tropa de Choque no Butantã e a eleição para reitor que culminou com a escolha do prof. João Grandino Rodas. Apesar disso, terá sido um ano bom para a participação e envolvimento dos estudantes? O Diretório Central de Estudantes (DCE) esteve presente nos diferentes campi debatendo essas questões e também aquelas específicas a cada lugar?
Infelizmente a atual gestão do DCE, “Nada Será Como Antes” (NSCA), que tenta a reeleição para o DCE, esteve bastante distante e omissa em discutir com os estudantes seja da capital e/ou do interior esses problemas de forma a ampliar o movimento, torná-lo mais participativo com cada vez mais estudantes questionando sua própria realidade. E para isso, basta olharmos para Lorena.
São conhecidas por todas e todos as dificuldades e problemas pelas quais a EEL passa desde a incorporação da antiga FAENQUIL aos quadros da USP em 2006. Professores e funcionários permanecem quadros em extinção na Secretaria de Desenvolvimento. Já os estudantes enfrentam sérios problemas no que tange as políticas de permanência estudantil: o transporte é muito precário – principalmente para o DEMAR -, o bandejão ainda está em construção, a moradia estudantil inexiste e, em setembro deste ano, o plano de saúde fora cortado.
Todas essas são questões de extrema importância, mas o corte do plano de saúde revela o quão antidemocrática é a USP, pois em momento algum foi dada a possibilidade para o conjunto dos estudantes se manifestarem a esse respeito, sendo uma decisão feita por poucos – o Tribunal de Contas questiona, a USP se cala e a NSCA faz somente um abaixo-assinado e isso a menos de 1 mês das eleições para o DCE…
As Engenharias podem cantar outra melodia!
Nós da chapa “Para Transformar o Tédio em Melodia” acreditamos que é preciso democratizar o Movimento Estudantil, pois a maioria dos estudantes esteve longe de ser informada a respeito do que acontece na USP, menos ainda de poder se envolver no ME e mudar sua realidade. Os diferentes problemas da EEL até agora não tiveram a possibilidade de encontrar uma alternativa construída pelos estudantes e isso se deve em grande parte por uma gestão do DCE ausente da realidade tanto de Lorena, como dos demais campi.
Diferentemente do que se diz, não achamos que por se tratar de cursos de exatas, centradas nas engenharias que as/os estudantes não se envolvem no ME. Somente com a disposição ao diálogo e a perspectiva de atuarmos coletivamente permitirá que o movimento caminhe junto com a EEL. Além de debatermos as políticas de permanência estudantil, ponto fundamental, devemos juntos pensar o papel social que as engenharias podem e devem cumprir.
Temos uma tarefa bastante difícil e complexa, mas extremamente necessária, que é fazer com que os diversos campi da USP tenham conhecimento e diálogo permanente com suas realidades para que, juntos, possamos ampliar o debate e participação, avançar nossas lutas pelos direitos mais essenciais da juventude e transformar o tédio em melodia!
Propomos um DCE que:
-Promova discussões sobre permanência estudantil, de forma a elaborarmos coletivamente um conjunto de propostas para saúde, moradia, transporte e alimentação para as/os estudantes da EEL.
-Chame uma audiência pública com reitoria e tribunal de contas para explicarem as razões para o corte do plano de saúde.
-Mantenha contato direto com o DA e CAEM, para aproximar os debates feitos nos diferentes campi da USP e também para integrar mais os dois campi de Lorena entre si.
-Divulgue boletins específicos para a EEL, mas também divulgue os diferentes acontecimentos dos demais campi da USP.

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