Saúde

Nós, da chapa “Para Transformar o Tédio em Melodia” somos estudantes que constroem cotidianamente um movimento estudantil amplo que agrega estudantes de diversas áreas. Por este motivo, somos também estudantes dos cursos de saúde.

Hoje, os cursos de saúde se encontram afastados do movimento estudantil. Por possuírem um ritmo muito diferenciado, foram esquecidos por não conseguirem acompanhar a dinâmica acelerada do movimento estudantil geral. Assim, suas necessidades e demandas foram secundarizadas. O debate de saúde que poderia ter sido um bom agregador dos estudantes destes cursos só foi parcialmente articulado pelo DCE no mês de Novembro, deixando transparecer um interesse eleitoral.

Apesar de estarmos espalhados pelos campi da USP podemos nos articular em torno do debate sobre a nossa formação acadêmica, a situação da saúde hoje no Estado de São Paulo e no país e as estruturas as quais o SUS está baseado, questionando aquilo que impede que ele seja público, integral, equânime e universal.

UMA MELODIA CRÌTICA: velhos e novos cursos de saúde

Nestes últimos anos, um projeto do Governo Federal (o REUNI), estimulou o surgimento de novos cursos de graduação nas universidades federais, indiscriminadamente e sem garantia de qualidade. Apesar da USP ser estadual, há uma pressão no sentido dessa expansão de cursos, pois vimos em 2009 a repentina criação do curso de Saúde Pública na Faculdade de Saúde Pública e outras iniciativas surgindo, como a proposta do curso de Biomedicina pelo ICB e pela Faculdade de Farmácia.

Questionamos os motivos da criação destes cursos, especialmente porque vemos cursos já existentes sem condições estruturais mínimas para garantia de qualidade, como acontece com a FOFITO (Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da capital). O prédio de aulas, conquistado em 2007 na ocupação da reitoria, deveria ter sido finalizado no 2º semestre de 2009 – o que vemos hoje é apenas o início da sua construção.

O tema saúde quando visto na graduação é através do enfoque biologicista, seguindo o modelo hospitalocêntrico, assim há pouco espaço para se pensar a saúde e o próprio SUS. Em alguns cursos, o tema da saúde quase não é visto nas matérias da graduação, dificultando o envolvimento dos estudantes com a área e comprometendo a prática profissional.

Assim, nossa intervenção através do movimento estudantil deve questionar a necessidade dos novos cursos e as condições dos atuais, não apenas estruturais, mas político-pedagógicas também.

Propostas:

-Consolidar o Comitê de Saúde, como um espaço de discussão e intervenção garantindo sua articulação durante todo o ano, com a ampla presença dos cursos de saúde.

-Realizar um Ciclo de Debates que trate das especificidades dos cursos da área, estimulando o debate multidisciplinar e que discuta os atuais projetos de extensão universitária que existem na área.

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